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domingo, 23 de agosto de 2009

Noites de decepções e ilusões






Crítica sobre o filme Noites de Cabíria (1957)


Por Emerson Santos


O filme Noites de Cabíria (1957) leva o telespectador a viver, ou simplesmente, a vivenciar uma situação comum a qualquer época em uma sociedade de desigualdades sociais. O público se identifica logo com a personagem Cabíria interpretada por Giulietta Masina, que sonha em mudar de vida e esquecer o passado. Não pelo fato de ser uma prostituta, mas sim, pelo sonho que tem de se casar com a pessoa amada. Giulietta, que participou do filme La Strada (1954) é esposa do diretor do próprio filme Noites de Cabíria, ou seja, Federico Fellini e ganhou em 1957 o prêmio de melhor atriz no festival de Veneza.
O universo circundante da trama focal desse filme dramático é justamente, a ilusão amorosa e a decepção com a vida, ou seja, com um possível futuro de sucesso e felicidade. O roteiro é bem memorável e flui todo a exposição da protagonista a diversas situações de altos e baixos, como a cena do espetáculo em que Cabíria se torna cobaia de um número ilusório, remetendo assim, ao tipo de cinema “fantástico” de Fellini.
O enredo é simples e marcante, com cenas interessantes, cortes superficiais e densos. A cronologia dos fatos marca uma história moldada em um prévio final surpreendente. Federico Fellini, que já dirigiu filmes como La Dolce Vita (1960) e Amarcord (1974), deixa clara a sua mensagem final com o seu desfecho sensível e, talvez, não tão inesperado. Um filme que leva às pessoas a analisarem a vida com mais lucidez e perspectivas, em que não importa o que venha a acontecer de ruim, sempre existirá uma coisa boa por mais simples que ela seja.






Encurralado




Crítica sobre o filme "Acossado" (1959)


Por Emerson Santos

Acossado (1959) é um filme clássico do movimento cinematográfico da década de 60 (Nouvelle Vague). Possui em sua essência uma pontual característica deste movimento que é o corte das cenas no eixo, sendo assim, um estilo preferencial do diretor Jean-Luc Godard que já fez filmes como Alphaville (1965) e Week-end (1968). A fotografia é bem interessante do ponto de vista estrutural e não simplesmente espacial, ou seja, com enfoque em cenários maravilhosos e exorbitantes que chamem a atenção do público. O longa gira em torno da perseguição da polícia por Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo), após roubar um carro e matar um policial e que se envolve com a personagem Patricia Franchisi (Jean Seberg) a qual, submete-se a escondê-lo.
O filme possui uma narrativa lenta, forçando a momentos de inconstâncias por lacunas presentes no desenrolar da trama, e que por sinal, dá a impressão de que algo está faltando ou uma certa falta de preenchimento de fatos correntes. O trabalho de edição do filme corre por conta da leveza e descontração da história. Para quem não conhece a estrutura funcional dos filmes de Godard, pode achá-lo chato e pouco instigante em se tratando de um filme policial francês.
A história e o seu desenrolar não causa ao telespectador tanta ansiedade por não possuir um conteúdo provocante, visto que, os momentos de adrenalina só são inseridos no desfecho da trama. Não amarra fatos e questões inquietantes de cunho misterioso, talvez, isso seja fruto do jogo de câmera. Como todo bom filme francês ele tem o seu charme particular, e a sua cena final remete ao próprio título, um homem perseguido, caçado, encurralado.